Restauração – Uma questão de percepção, valorização e atitude!

Restauração – Uma questão de percepção, valorização e atitude!

Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. Lucas 15:8-10

Este texto é parte de uma conhecida parábola proferida por Jesus. O Mestre inicia falando sobre uma ovelha que se perdeu (parábola da ovelha perdida), vai passar pela mulher que perdeu uma moeda (parábola da dracma perdida) e termina falando sobre o filho que saiu da casa do pai e depois retorna (filho pródigo).

Neste momento do discurso Jesus nos fala sobre:

  • Uma mulher
  • Uma perda (dracma)
  • Um cenário (casa)

Esta história, contada com poucas palavras, deixa claro algumas verdades que neste tempo nós desprezamos ou estamos negligenciando. Eu quero pontuar estas verdades reveladas no texto, são elas:

  1. A primeira verdade deste texto é que esta mulher possuía algo. Ela devia, como toda mulher, ter muitos desejos não atendidos, mas possuía algo. Precisamos ser conscientes do que temos e a partir desta consciência desenvolver algo precioso para uma vida saudável, chamo isto de senso saciedade.

Este termo saciedade está muito relacionado à alimentação. Saciedade é o estado de uma pessoa completamente saciada ou satisfeita com uma refeição. Quando nos alimentamos o nosso estômago está em conexão com o nosso cérebro – mais especificamente hipotálamo – área cerebral responsável pela saciedade e pela fome.

Ao alimentar-se, o estômago dilata-se do tamanho que está acostumado pelas repetições das refeições e envia uma mensagem ao hipotálamo avisando-o que já está saciado, que não precisa comer mais. Com isso a pessoa está satisfeita e para de comer. Esse é o mecanismo.

Na pessoa com tendências a comer mais, seja qual for a razão, ansiedade, festa, boca-livre, rodízio, muito líquido durante a alimentação, enfim qualquer estímulo que possibilite comer demais, o estômago se dilata mais que o costume e demora em enviar a mensagem.

Se esse procedimento se repetir muitas vezes, o estômago vai se dilatando cada vez mais e sempre ficará aguardando a distensão para enviar a mensagem de saciedade. Com isso você precisará de mais para alcançar o estado de saciedade.

Este processo – saciedade, ligado a alimentação, pode ser aplicado à vida como um todo, pois vivemos numa época em que não estamos satisfeitos com o que temos. Parece que a felicidade está relacionada ao ter cada dia mais, ou seja, o que eu já tenho não é mais o suficiente – cada dia eu preciso de mais coisas para ser feliz.

Este texto pode, também, me auxiliar a desenvolver uma visão clara de que a vida não é feita somente de perdas, ausências. A mulher tem dez dracmas, ou seja, ela possui algo. Se você reconhecer e valorizar o que Deus já te deu fica mais fácil adquirir um senso de saciedade.

Perceba que o que alegrava esta mulher já existia dentro de casa; A razão da festa com as amigas e vizinhas não era por algo novo, mas por algo que já existia e que fora perdido por um tempo, mas agora foi achado.

Fica um alerta: Se o que eu já tenho deve ser contribuir para minha alegria, eu preciso cuidar para não perder tudo ou uma parte. O que deve nos entristecer não é a falta de coisas novas, mas as perdas de coisas que já estavam comigo, e pior, dentro do ambiente da casa.

  1. A segunda verdade implícita neste texto é que se o que eu tenho é precioso eu preciso cuidar, pois posso perder, ou seja, a posse não é definitiva, o que eu tenho hoje posso não ter amanhã.

A mulher que um dia teve dez dracmas agora possui nove, uma é perdida. O fato de ter algo precioso em casa não significa que este algo está totalmente seguro. Naturalmente temos preocupações em não perder fora. Quando saímos na rua tomamos medidas de segurança, redobramos a atenção, ficamos atentos às movimentações estranhas (parecemos até agentes de segurança treinados pelo FBI), enfim nosso nível de cuidado aumenta muito, mas em casa, no conforto do lar, nós relaxamos e é neste estado de relaxamento que corremos risco.

Pense nisso: perder é uma possibilidade real para cada um de nós!

Em se tratando de perdas eu as classifico em dois tipos:

  • Aquela que eu produzo – eu sou agente causador.
  • Aquela que eu recebo – causado por terceiros.

Neste texto a mulher é a responsável pela perda de uma dracma, pois ela é a responsável direta por cuidar deste bem. Observando esta cena descrita por Jesus nós podemos admitir que algumas perdas são inevitáveis, mas outras poderiam ser evitadas.

Tendo o cenário criado por Jesus como parâmetro podemos afirmar que a mulher foi descuidada com relação à responsabilidade de cuidar, mas ela vai demonstrar que um erro pode ser superado por um acerto. Errar é possível, mas neste caso o acerto determinará o sucesso e o término feliz da história.

  1. A terceira verdade surge neste texto de maneira muito sutil, mas não menos visível e importante. O relato bíblico vai mostrar que esta mulher concebe perceber a ausência de uma dracma do seu conjunto de dez.

A palavra chave é percepção! Isso, algo simples não é? Mas de quanta valia é isto. Um olhar cuidadoso pode nos trazer a clara noção do que se perdeu e nos direcionar para a recuperação. Identifique as coisas que você perdeu, avalie os cenários onde você trafega a fim de descobrir o que existiu e hoje não existe mais, faça um exercício de memória.

Eu só decido buscar o que se perdeu quando eu sei que perdi! Perceber a perda é fundamental para uma mudança.

Quando a perda é percebida um novo elemento se junta ao primeiro. Costumo dizer que perceber é o ponto de partida, mas valorizar o que se perdeu é fundamental para o sucesso.

A valorização do que se perdeu é um indicativo de que eu estou sensível, atento, em contato com aquilo que possuo. Muitas pessoas se dão conta do desastre quando ele atinge proporções gigantescas. Temos perdas que se apresentam com grandiosos desde o início, mas na maioria delas, principalmente no ambiente do lar (caso desta parábola), as perdas ocorrem pouco a pouco.

Perceber a perda é o início, mas o passo seguinte é valorizar a perda!

Esta mulher perdeu apenas uma dracma, ela ainda tinha sob seu domínio outras nove. Convenhamos, o que é uma entre dez? Tenho 90% nas mãos, 10% de perda é tranquilo! Essa tem sido a reação de muitos diante das perdas da vida. Observamos os números e nos conformamos com a possibilidade de ter a maioria, quando na verdade deveríamos ter o todo!

O problema nosso é que não nos incomodamos com as pequenas perdas.

Esquecemo-nos, como já mencionei que o perder tudo começa, em muitos casos, com o perder um pouco. Hoje é dia de paralisar perdas na tua vida no estágio inicial. Começou, mas não precisa continuar, teve início, mas não precisa evoluir.

  1. A quarta verdade deste texto é que eu preciso identificar o local onde estas perdas ocorreram. Este conhecimento é fundamental para uma ação de restauração. Esta mulher percebe que perdeu, valoriza o que perdeu e identifica o lugar onde a perda pode ter ocorrido.

O fato de perder em casa significa que o que se perdeu pode ser recuperado, por dois motivos simples:

  • Eu conheço o lugar
  • Eu estou no lugar

Existem perdas definitivas, ocorreu e não pode mais ser recuperada. Esta perda de uma dracma em casa revela que o que se perdeu pode ser encontrado. O fato de conhecer o lugar e estar no lugar me compromete com o ato de restaurar.

Há um fenômeno chamado “terceirização”. Há algum tempo as pessoas perceberam que é inviável, e até impossível, fazer tudo. Com isto surgiram pessoas dispostas a fazer parte do processo e não todo ele. Um exemplo claro são as lavanderias de roupa. Quem imaginaria a quatro décadas atrás que alguém ganharia dinheiro apenas lavando e passando roupas de uma família ou de uma empresa? Quando as pessoas tinham condições contratavam ajudantes para auxiliar no trabalho doméstico e estas faziam tudo, mas hoje é possível terceirizar apenas alguns itens. Isso auxilia muito a vida da família moderna, pois otimiza o tempo e proporciona um maior conforto para quem pode utilizar estas facilidades.

O problema é que existem pessoas querendo terceirizar o “intercerizável” (se é que existe esta palavra). Existem coisas na vida que eu não posso pedir para outro. Eu preciso assumir a condução e a solução deste problema. O fenômeno da terceirização não pode alcançar seu casamento, sua relação com os filhos e principalmente sua vida espiritual. Quando a perda ocorre nesta área você pode ter ajuda, e certamente terá, mas você deve liderar o processo.

A recuperação é um processo iniciado por quem perdeu. Não espere que as coisas voltem ao seu devido lugar de maneira espontânea.

Quais as ferramentas que nós temos para nos auxiliar neste processo:

– luz e vassoura

Estes dois elementos são simbólicos e precisam ser conhecidos. Rapidamente quero deixar estas verdades para você!

– Luz: significa no contexto bíblico a palavra de Deus (Salmos 119:105). A recomendação para você leitor é: confronte teu ambiente de perda com a palavra de Deus. Uma possibilidade maravilhosa que a palavra de Deus nos proporciona é a condição de vermos a sujeira que nos rodeia, a sujeira que está em nossa vida, relacionamentos, posturas e percepções.

– Vassoura: significa neste contexto bíblico as nossas ações. Após a luz revelar a sujeira inicie uma limpeza. Jogue fora tudo aquilo que a luz da palavra te mostrar que não presta.

Sabe qual será o resultado? Festa!

O evento que poderia determinar o início de um período crítico e trágico será transformado em um motivo de festa, pois apesar da perda momentânea você foi capaz de reverter o processo e promover restauração.

Pense nisso.

De seu irmão em Cristo

Pablo Artur

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